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Briga de cachorro grande em Cianorte.

Basta uma verificação histórica que entrega a supremacia do fator financeiro sempre definiu as eleições contemporâneas em Cianorte. O saudoso Jorge Moreira responde pelas exceções, porque, nas demais, a relação sempre foi retilínea, mais investimento, mais votos. E agora?



Eu seria muito injusto se limitasse a provável disputa entre Marco Franzato e Rodrigo Guimarães na questão financeira porque ambos têm muitas qualidades e sucesso inquestionável na iniciativa privada, mas a referência faz sentido ao se afirmar que, desta vez, o dinheiro não vai desequilibrar a disputa e isto aponta para uma disputa muito mais interessante.


Infelizmente, o eleitorado está treinado para escolher nomes, idolatrar o selecionado e achar centenas de defeitos no concorrente, como derivação das disputas odiosas que marcam as eleições recentes. Seria muito bom se a leitura fosse outra. O Marco já é prefeito e pode se reeleger, Rodrigo disputa em condições de igualdade e, certamente, será prefeito de Cianorte, agora ou em 2028, portanto o fundamental é que o vencedor consiga entregar uma excelente gestão, seja qual for o eleito.


Direto ao ponto; as regras mudarão e ninguém vota por conta da carreata maior e muito menos se consegue montar as famosas operações de “compra” de voto (as aspas se referem a algum exagero, caso a leitura se faça literal). O avanço no nível de participação, subproduto da abertura via redes sociais e, além disto, tem muita mais eleitores com um nível satisfatório de cultura política, com discernimento para se proteger das artimanhas e promessas eleitorais inexequíveis. Os candidatos precisam ser mais assertivos e aqueles velhos planos de governo, fantasiosos e produto de uma montagem precária de uma ou duas pessoas, é um elo que nos remete ao passado que o eleitorado repele.


Temos duas alternativas distintas como linha de condução da disputa. A primeira latente e previsível aponta para uma disputa medíocre de calúnias e difamações, conduzidas por áulicos despreparados e sedentos para ganhar um trocado e conquistar algum holofote que lhes renda um cargo no legislativo ou na prefeitura. A velha tática de atirar pedra e esconder a mão deve estar muito ativa na campanha e só refluirá se a sociedade repudiar ou o judiciário punir logo na largada.


A segunda hipótese me motiva. São dois grupos políticos que somam em seus quadros muita gente valorosa e competente e que podem promover um amplo debate de nossas demandas, apontando caminhos que deverão ser percorridos pelo vencedor, ainda que, eventualmente, precise se valer de projetos do oponente e isto é duplamente elogiável, somando o mérito de propor com a humildade de aceitar.


Alguma possibilidade de terceira via? Será surpreendente que apareça outro nome e suas chances eleitorais se aproximam do zero por inúmeras razões, em destaque a questão política e financeira.


Teremos dezesseis chapas de vereadores, nove para um, seis para outro e a chapa do PT, somando entre 150 e 170 candidatos, suficientes para montar um legislativo muito qualificado, mas, este é o ponto desta análise, cada candidatura “custa” pelo menos dez mil reais, custando o primeiro milhão aos contendores e, até por falta de legendas alternativas, é uma imensa barreira de entrada para qualquer cidadão na disputa. Em política, raramente o talento ou a competência se impõe sem recurso para pagar a conta, quase sempre vence o mais rico e quase nunca o melhor.


Sem interferência do fator financeiro, a disputa pode ser mais densa e, dentro deste espírito, o Bisbi oferecerá espaço para implementar um debate direcionado, equilibrado e amplo entre as candidaturas, permitindo ao eleitor uma avaliação serene e desapaixonado dos projetos e também da capacidade dos candidatos de gerenciar o município.


Está só começando, as equipes estão prontas, mas a escalação final só em julho, mas, desde já estamos trabalhando para elevar a qualidade do debate político, mas, você sabe disto, o fundamental é que os candidatos assim o desejem.

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